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04/08/2009

A FUTURA REPRESA DO RIBEIRÃO LEITE: PATRIMÔNIO DA SOCIEDADE DE GOIÂNIA

O Brasil tem inúmeros exemplos de gerenciamento equivocado e pouco eficiente de recursos hídricos. De um modo geral, os reservatórios de água, construídos para diversas finalidades, como hidroeletricidade, abastecimento público, irrigação, recreação e turismo são gerenciados por diversas instituições, há uma ocupação extensiva de bacia hidrográfica e uma deterioração da qualidade da água que tem inúmeras repercussões nos usos múltiplos comprometendo e encarecendo os custos do tratamento de água. Alem disso, reservatórios com usos múltiplos podem comprometer a segurança coletiva da população devido ao aumento do risco e da vulnerabilidade devida á diversificação e magnitude dos diferentes impactos. Este quadro é muito comum em todo Brasil e as autoridades e organizações que gerenciam recursos hídricos está permanentemente ás voltas com a qualidade de água deteriorada, aumento de doenças de veiculação hídrica e custos de tratamento de água cada vez mais elevados: uma água de manancial deteriorada, para ser transformada em água potável necessita de um investimento em produtos químicos cinco vezes maior.
A proteção da qualidade das águas dos mananciais de abastecimento público é atualmente uma preocupação mundial.
Órgãos das Nações Unidas, como a Unesco e o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), têm procurado desenvolver padrões, metodologias e programas de monitoramento que possam avalias a qualidade das águas e acompanhar o resultado de ações de preservação e recuperação de mananciais. Essa preocupação, além de referir-se á conservação e preservação de áreas de mananciais não contaminados, também se refere a investimentos para recuperação de mananciais, utilizando-se diversas tecnologias, como reflorestamento ciliar, o tratamento de esgotos domésticos e afluentes industriais.
Em toda estas atividades tem sido observado que o papel da educação da população é essencial. Nessa educação inclui-se uma mudança de paradgma de água como recurso finito, e também a concepção mais avançada de recurso hídrico (lagos, rios, represa e áreas alagadas), não pode ser o depósito de matérias de toda espécie como ocorre, atualmente, em muitos rios urbanos. A cidade de Goiânia terá dentro de pouco tempo um reservatório de abastecimento de água, a futura represa do Ribeirão João Leite, construída especificamente com essa finalidade: abastecimento de água para Goiânia. São raros os casos de capitais do porte de Goiânia terem um reservatório construído exclusivamente para esse fim.
O reservatório será construído depois de um conjunto de estudos e projetos muito bem desenvolvidos pela Saneago.
Estes estudos de excelente qualidade apontam para inúmeros investimentos para a recuperação da bacia hidrográfica antes do enchimento do reservatório. Além disto, há também projetos de preservação e conservação da futura bacia do Reservatório João Leite e um conjunto de estudos realizados por pesquisadores e consultores competentes que apontam as soluções e propõe atividades de acompanhamento, preservação da bacia e controle da qualidade da água do futuro reservatório. Ao contrário de muitos reservatórios no Brasil,o futuro reservatório do Ribeirão João Leite não é uso múltiplo. Ele tem uma única finalidade de fornecer água á população de Goiânia. E, portanto, esta finalidade deve ser preservada. Por isto, os planos futuros de gestão são restritivos aos diversos usos. Por mais que possa afirmar que existem tecnologias que assegurem o controle deste reservatório, os exemplos de outras regiões mostram caminhos já conhecidos e oportunidades perdidas: ocupação do solo, deterioração das florestas ripárias e da bacia, aumento das atividades e econômicas e descontrole do processo que pode levar ao problema de aumento dos custos de tratamento. Deterioração da qualidade da água e risco á segurança coletiva da população. Um reservatório preservado com baixa contaminação, com uma bacia hidrográfica pouco impactada e preservada, pode ser uma alternativa importante e um exemplo para o Brasil. Há oportunidades de educação e ecoturismo com preservação da bacia hidrográfica, possibilidades de estudo e alternativas de lazer sem contato direto com a água que podem ser extraordinariamente benéficas. Preserva-se a represa e a qualidade da água, utiliza-se este exemplo como um novo paradgma de abastecimento de água no Brasil e realizam-se, assim, as expectativas de novos processos de gestão. Como a Saneago é a principal responsável pelo abastecimento de água de Goiânia e, conseqüentemente pelos usos da água, no futuro reservatório não há dúvida que é sobre esta empresa que recai a responsabilidade pela gestão, naturalmente em conjunto com as outras instituições e a sociedade da Capital. A futura Represa João Leite é um patrimônio da sociedade de Goiânia e como um tal poderia ser gerenciado como um exemplo importante e fundamental de reservatórios de abastecimento público. Esta mudança de paradigma na gestão e na visão de um reservatório de abastecimento, com água de excelente qualidade podem representar um exemplo muito relevante para o Brasil e deve servir do estímulo e orgulho para a sociedade de Goiânia, pois constitui uma visão do futuro muito avançada e o par de muitos países desenvolvidos que fizeram o mesmo. Reservatório de abastecimento de água são “caixas de águas” e como tais devem ser tratados para o bem de toda sociedade e das futuras gerações.
Portanto, preservar restrição de usos da futura Represa João Leite é investir no futuro e ampliar a capacidade de serviços de abastecimento de um reservatório, estendendo-a por um período muito mais longo para benefício da população. Milhões de reais poderão ser economizados em tratamento de água e na preservação da saúde da população.
É consenso mundial que preservar e conservar a qualidade de água é muito mais barato de recuperar bacias hidrográficas e recuperar mananciais degradados. Que o diga a população da região metropolitana de SãoPaulo e algumas outras capitais do Brasil que não investiram em proteção e preferiram deixar o cargo do tratamento posterior a segurança coletiva da população! Alternativas para a geração de emprego e renda dentro de um sistema de preservação de mananciais existem: programas de reflorestamento e conservação das áreas de proteção ambiental, educação e formação de guias turísticos e técnicos, produção em massa de mudas de espécies nativas e o próprio processo de acompanhamento e monitoramento do reservatório além das oportunidades que se abrirão na conservação da bacia ro Reservatório do João Leite. A inovação gerada pelo processo instalado de preservação de manancial e restrição de usos gerará, outras oportunidades sem duvida, outras oportunidades e inovações.
O argumento de que existem tecnologias avançadas e diversificadas de gestão, o que abrira oportunidades para usos múltiplos do reservatório, não se aplica nesse caso. Este reservatório é especifico e único e, portanto, como tal deve ser tratado.
As Universidades, os centros de pesquisas e as instituições da região metropolitana de Goiânia, trabalhando em conjunto com a Saneago e outras instituições e municipais e regionais podem dar ao Brasil um belíssimo exemplo de um novo paradgma na gestão de recursos hídricos no Brasil.

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